O fenômeno El Niño pode atingir intensidade excepcional e alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta. O alerta foi feito nesta quarta-feira (21) pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo. Segundo ela, o fenômeno pode favorecer ondas de calor e secas severas em algumas áreas, enquanto outras ficam mais expostas a chuvas intensas e inundações.
O alerta ocorre em meio à preocupação com o avanço do aquecimento global. Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) indica que, mesmo com a expansão das energias renováveis e as políticas de redução de emissões adotadas por diferentes países, os compromissos atuais não são suficientes para limitar o aumento da temperatura. Pelas projeções do documento, o aquecimento pode chegar a 2,8°C até 2100, considerando as políticas em vigor, ou a 2,6°C se os compromissos climáticos existentes forem integralmente cumpridos.
Para manter a possibilidade de limitar o aquecimento a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, o relatório aponta a necessidade de cortes expressivos nas emissões de gases de efeito estufa. As reduções precisariam chegar a 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em comparação com os níveis de 2025. Os planos nacionais apresentados até agora preveem reduções menores.
Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP31, na Turquia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a continuidade dos esforços para reduzir as emissões. Segundo ele, mesmo que a meta de 1,5°C seja temporariamente ultrapassada, ainda é possível limitar a dimensão e a duração desse aumento e buscar o retorno ao patamar até o fim do século. O relatório ressalta, porém, que esse cenário dependeria de remoção de carbono em larga escala, cuja viabilidade ainda é incerta.